Como já dizia Fernando Pessoa: "escrever é esquecer, a literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida [...]", eu sempre me senti bem escrevendo, quem sabe seja porque eu falo demais, palpito demais, reclamo demais, aconselho demais, mas o problema é quando é pra falar de mim, sobre minha vida, sobre meus problemas, sobre minhas felicidades e infelicidades, é como se uma trava aparecesse, e eu nunca soubesse me expressar direito, sempre falando demais ou de menos. Foi aos 14 anos que descobri o quão bom que era escrever, foi numa fase bastante difícil pra mim particularmente, eu evitava ter contato com as pessoas, eu não era eu, acho que todo mundo passa por uma fase assim, no meu caso pra eu ficar tão perturbada assim foi quando eu descobri que minhas espinhas de adolescente viraram queloides e que eu iria ter um longo caminho para ao menos ter aquelas cicatrizes enormes um pouco amenizadas, eu fiz daquilo o meu fim do mundo, chorava o dia todo, e não era pra menos, eu tinha apenas 14 anos, minha vontade de usar blusinhas e vestidos decotados estava enterrada dentro de uma caixa à 7 chaves, sem mencionar que aquilo no começo vazava, tive que parar de usar a camiseta branca de uniforme, parei de jogar futsal, parei de sair, acordada sempre com o pijama grudado pelo pus que aquelas "coisas" soltavam. Eu não queria conversar sobre esse assunto com ninguém, comecei a virar agressiva, comecei a me isolar, e o pior é que a maioria das pessoas ao meu redor nem sabiam o porque eu estava me transformando em outro eu. Eu não me sentia bem em conversar com ninguém sobre isso, nem com a minha mãe, acabei que não queria conversar sobre nada com ninguém, preferia ficar sozinha no meu quarto, lendo ou escutando música do que colocar o pé para fora. Minha vida, dos meus pais estava totalmente virada, e eu não me dava conta que estava deixando ser vencida por um problema, até mesmo por não querer falar como me sentia a respeito do que estava acontecendo comigo, com o meu corpo e até com o meu rosto.. Foi aí que ganhei uma agenda de uma madrinha adotada (porque ela era mulher do meu padrinho), nunca esqueço que ela me falou que eu não precisava me abrir com os outros se eu não me sentia a vontade, só que eu precisava colocar tudo o que eu sentia em algum lugar, se não todos aqueles meus sentimentos iam me matar, não só iam me matar, como iam acabar com a minha mãe, meu pai e todos que me amavam, (como já estava acontecendo). Eu sentei na cama a noite, peguei aquela agenda e comecei escrever, escrever e escrever, e quando minha mãe foi me acordar no outro dia pela manhã para eu ir pra aula, eu percebi que parecia que meus ombros estavam mais leves, parecia como se escrever tivesse sido como uma mágica, a partir desse dia eu nunca mais parei de escrever sobre como eu me sinto, na verdade hoje eu escrevo quando não consigo me expressar, é uma coisa estranha até, eu não escrevo pra ficar bonito ou para os outros acharem legal, eu escrevo porque me faz bem, quando eu começo a digitar ou escrever o que eu sinto ou como me sinto sobre uma situação, parece que não tenho controle, vou escrevendo, escrevendo e escrevendo, até quando eu me sinto aliviada, tudo bem que muitas vezes nem consigo me expressar nas palavras, mas já me sinto bem por ter escrito qualquer coisa. Acho que todos deveriam aderir a esse hábito, acho que as pessoas iriam se sentir muito melhor, afinal "escrever é esquecer, é a maneira mais agradável de ignorar a vida" =)

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